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A culpa é do Amor?

15.04.2015 Tatiana Porto

 

Quando a Luiza, minha caçula, fez 1 ano – e, portanto, estava no auge de sua fase graciosa, mostrando independência – coincidiu com as férias de julho do João, meu filho mais velho. Ou seja, um mês inteiro em casa, finalmente começando a interagir e brincar com a irmã, coisa que ele mais ansiava desde que ela nasceu. Conclusão: a volta às aulas em agosto foi um tormento!

Altos escândalos na porta da escolha, professoras sem reconhecer o comportamento dele (que sempre se mostrou confiante e seguro) e até indícios de algumas regressões. E eu? Bem, mais culpada e sofrendo do que nunca!

Meu nível de loucura culpa chegou a tal ponto, que repetia a mim mesma, como um mantra: “a culpa não é sua, agora é lei que as crianças estejam matriculadas na escola a partir dos 4 anos”. Ou seja, mesmo que quisesse voltar atrás e deixá-lo em casa, só teria uns meses de desconto. Ridículo? Pode ser, mas é doloroso ver um filho sofrendo e a gente acaba buscando as soluções mais improváveis nessa hora.

Chegamos à conclusão de que todo o ciúme que ele não teve no nascimento da irmã, estava tendo agora. Ninguém me avisou que ciúmes não tinha prazo de validade e poderia acontecer a qualquer tempo – nem que ele só estava fazendo aquilo pra continuar em casa conosco.

Na época, conversei com muitas pessoas procurando conselhos, outros pontos de vista e ombros amigos. Mas teve um comentário que me chamou muito a atenção. Eu disse a uma pessoa que era duro pra uma mãe que fazia tudo pelo filho, vê-lo sofrer desse jeito e não saber mais como ajudar. Ela me respondeu que tudo o que é em excesso estraga, até o amor. Saí dessa conversa com a assinatura de culpada no cartório, mesmo sabendo que essa pessoa não tinha ideia do que é o amor de mãe pra filho.

Por muito tempo dei ouvidos a essa contestação e me questionei se a decisão de largar tudo, buscando qualidade de vida pra nós, teria sido uma boa escolha, ou um tiro pela culatra. Mas chegou uma hora que cansei.

Me recuso a acreditar que dar amor demais possa estragar meus filhos. Veja bem, falo em AMOR com letras maiúsculas, nas suas mais simples manifestações, o que é muito diferente de superproteção, “passar a mão na cabeça”, “deixar fazer o que quiser” e por aí vai… E também digo que essa é MINHA forma de amar, e que precisa funcionar assim pra ser inteira e saudável, mas que não julga qualquer outra forma de criação e educação.

Acreditar nisso seria ensinar a eles que “olha só, você vai se apaixonar e amar alguém, mas não ame 100%, pois não vale a pena e vai ser ruim pra você”.

Talvez a resposta sobre deixar um mundo melhor pros nossos filhos não esteja apenas em consertar as coisas ruins, mas em fortalecer as coisas boas que estamos perdendo pelo caminho, como o respeito pelas opiniões e decisões do outro, ou como o Amor que deveríamos ser capazes de dar…

“Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria”

Formada em Administração com ênfase em Marketing pela ESPM, hoje exerço uma profissão que sempre esteve dentro do meu coração: sou mãe em tempo integral de dois lindos pequeninos: João e Luiza. Com isso, também sou dona de casa, recreadora, professora, enfermeira, cozinheira, motorista, palhaça particular e administradora de um e-commerce de roupas e acessórios para bebês e crianças.