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A mãe mais chata do mundo inteiro

23.02.2015 Tatiana Porto

 

Prazer, essa mãe sou eu. A mais chata. Do mundo inteiro. De acordo com a opinião do meu filho de 4 anos (sim, eu disse 4 e não 15). Se eu sabia que isso ia acontecer? Claro! Só não esperava que fosse tão cedo. E foi por um motivo tão relevante que nem lembro mais.

A verdade é que nós mães encaramos todo o “trabalho sujo”, e não estou falando de fraldas, mas da hora de bater de frente, impor limites, criar regras, estabelecer valores. Ninguém está disposto a fazer esse trabalho e ficar mal com a criança, como se contrariá-la fosse fazer com que ela gostasse menos da pessoa. E aí quem encara isso independente do mal estar? A mãe. Porque sabemos que mãe é mãe e um dia será compreendida e merecerá agradecimentos – ou é nisso que queremos acreditar e precisamos para seguir em frente sem desistir de educar.

Não tive a oportunidade de ser tia, madrinha, nem conviver com filhos de amigas antes dos meus filhos. No máximo fui prima mais velha e, no dia que precisei ficar sozinha com um deles, acabei deixando a criança em cima do trocador pra pegar água no banheiro, tamanha a minha experiência – não, ele não caiu porque eu pedi pra ele não fazer isso, e ele foi muito obediente! E pelo menos eu não seria a prima mais chata do mundo por fazer isso, pelo contrário. Então, estreei no papel principal logo de cara, sem ensaio, sem teste, sem manual ou qualquer instrução.

A parte prática da coisa a gente até aprende em livros, cursos, dicas, mas o que pega mesmo é a parte emocional, aquela que será necessária pra poder educar os filhos de acordo com o que achamos correto. E como é difícil “enfrentar” as pessoinhas que mais amamos no mundo, pela qual fazemos o que for possível e impossível, mas que também precisam que estejamos fortes, mostrando o caminho certo. Porque sim, eles vão nos testar, nos levar aos nossos limites, pedir e até implorar pra que falemos não, não e não.

Outro dia conversando com um senhor muito sábio, contei pra ele da minha aflição de ter que exercer o papel de bruxa má na vida dos meus filhos, e de como eu tinha medo de que isso atrapalhasse nosso vínculo. Ele me explicou que isso faz parte de ser mãe, e que esse meu desconforto era até saudável, pois mostrava que eu estava trabalhando de fato na educação deles, e me disse que eu ainda exerceria alguns outros papeis na vida deles. Que agora na primeira infância eu deveria ser a MÃE, mostrando o que era certo e errado, o que era perigoso, devendo dizer o que pode ou não ser feito. Quando eles crescerem mais um pouquinho deverei ser a PROFESSORA, explicando o porquê de não poder fazer algo, ou porquê precisa ser feito. E depois de ter trabalhado muito nesses dois papeis, aí então poderei ser a AMIGA, a que vai conversar de igual pra igual, aconselhar, ouvir e tentar resolver o problema juntos (tá, sei que muita mãe de adolescente deve estar me achando utópica, mas me deixar sonhar!!!).

Ouvir que eu sou “a mais chata do mundo inteiro” doeu… Mas me trouxe a certeza de que assim como eu sou a pessoa que mais os conhece nesse mundo – afinal conheço os dois no mínimo 9 meses antes que qualquer outra pessoa – ele também me conhece, e sabia que aquilo ia me afetar (bingo!), assim como ele também sabia que bastava meia hora depois dizer que “me amava do mundo inteiro” para me fazer sorrir novamente…

PS – antes que critiquem essa é minha visão de MÃE, afinal sou uma delas, mas sei que os pais também passam por essas situações.

 

Formada em Administração com ênfase em Marketing pela ESPM, hoje exerço uma profissão que sempre esteve dentro do meu coração: sou mãe em tempo integral de dois lindos pequeninos: João e Luiza. Com isso, também sou dona de casa, recreadora, professora, enfermeira, cozinheira, motorista, palhaça particular e administradora de um e-commerce de roupas e acessórios para bebês e crianças.