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A pressa é inimiga da… reflexão

30.09.2015 Samia Assaf

 

 

Como a maioria das pessoas hoje em dia, estou nas redes sociais. E tem dias em que eu adoro fazer parte disso tudo e outros em que simplesmente odeio. Fico com vontade de sumir do mundo virtual, de verdade. O que mais me incomoda? Justamente essa pressa em dizer coisas, sem ter certeza do que se diz. Sei que o barato das mídias sociais é justamente esse lance “tempo real”. É legal mesmo. Mas será que sempre e, independentemente do assunto, dá pra gente já sair dizendo o que pensa? Será que isso pode mesmo ser chamado de liberdade de expressão? De raciocínio crítico? De algum tipo de consciência? Nem sempre. Há muita histeria nas redes sociais. Muita gente parece esquecer que ter uma opinião não é simplesmente concordar ou discordar com algo, mas refletir sobre o assunto, descobrir se você tem PERGUNTAS a respeito dele (que exigem alguma pesquisa), antes de se apressar em dar uma RESPOSTA.

Percebo que muita gente ainda mimetiza aquilo que certos veículos de comunicação e alguns formadores de opinião dizem, num estilo copy+paste, sem muito critério e sem sequer se dar conta. Nada contra simpatizar com veículos e pessoas, diga-se de passagem. Eu mesma, gosto de um monte deles e compartilho suas publicações. Mas até pra escolher essas referências, é preciso haver um critério, uma escolha consciente. O problema é esquecer de pensar e, simplesmente, se acomodar em “emprestar” opiniões.

Observando as reações das pessoas quando há um grande “buzz” em torno de um assunto polêmico, percebi que manipular a opinião pública é razoavelmente fácil. É só decidir que abordagem a mídia dará a um determinado tema e tentar resumi-lo, ou limitá-lo a isso. A estratégia é engrandecer um aspecto da notícia e diminuir outros, orientando a maioria das pessoas a terem um determinado tipo de reação. Como se alguém dissesse: não precisa entender isso, já entendemos por vocês.

Pois é, detalhes são facilmente ignorados ou despercebidos no frenesi dos internautas. Quem tem tempo para eles? Pessoas são linchadas dentro e fora das redes, generalizações grotescas são assimiladas, uma infinidade de conceitos são construidos e desconstruidos sem termos certeza se há fundamento no amor e ódio que sentimos.

Quem ainda usa seu tempo pra pensar? Sim, parar pra PENSAR! Muitos querem engajar socialmente, mas refletir é outra coisa. Quem se dá ao trabalho de, após ler uma notícia:

1. Pesquisar muito a respeito e procurar aprender mais sobre o assunto

2. Considerar diferentes pontos de vista (contrários, favoráveis, outros)

3. Refletir bastante sobre tudo o que foi absorvido para só então…

4. Chegar a conclusão do que VOCÊ (sim, você, “pessoa livre”) entende e pensa sobre o assunto tratado?

Acredito que muita gente não lembra de fazer isso. O resultado é uma superficialidade de opiniões. Há pessoas reflexivas na internet, esforçadas em compreender os assuntos pelos quais se interessam e em compartilhar algo em que acreditam de verdade? Há sim, claro que há! Mas, vamos combinar, há um oceano de “justiceiros” fajutos, pseudo-ativistas, extremistas de todo tipo de religião e visão política que falam coisas sem a menor responsabilidade ou profundidade, se achando os mega-revolucionários. É preciso tomar cuidado, ter mais critério, ser mais seletivo na hora de engrossar qualquer coro. É preciso voltar a pensar! Essa é a verdadeira revolução (tcha-ran!).

Ter certeza que a sua opinião é sua mesmo e que é liberdade de expressão de verdade.

Sou publicitária formada pela ESPM e jornalista formada pela Católica UniSantos, com experiência profissional em planejamento de comunicação e cursos de especialização em marketing digital, também realizados na ESPM. Amo tudo o que é criativo, não sobrevivo sem música, sou apaixonada por viagens, adoro aprender coisas novas, adoro gente simples e espontânea, minha maior paixão é escrever!