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AMAmentar, um ato de AMOR

06.08.2015 Tatiana Porto

 

 

Entre os dias 1 e 7 de agosto celebra-se a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM), uma forma de incentivar a amamentação e melhorar a saúde de bebês e crianças. Com certeza, durante esse período, você já deve ter visto fotos de mulheres amamentando, até mesmo de famosas, e muitos textos sendo divulgados nas redes sociais sobre o assunto. O objetivo é desmitificar algo tão instintivo, mas que ainda nos dias de hoje gera polêmica e controvérsias. Que o digam mães que já foram reprimidas em locais públicos, ou que postaram fotos e foram censuradas (sim, o Facebook até pouco tempo atrás censurava fotos de mães amamentando por classificar como nudez), ou simplesmente que aguentaram muitos palpites alheios.

Amamentar é, sem dúvida nenhuma, um ato de amor; é o melhor alimento que o bebê pode receber; sem contar que é uma delícia esse momento só seu e do seu filho, como se ele voltasse a morar dentro de você por instantes. Por isso, acredito que toda experiência seja válida, pra mostrar a importância do assunto, mesmo que não tão linda e maravilhosa como as fotos que vemos.

Gostaria de contar o quão maravilhoso foi esse período com meus filhos, o quanto foi lindo e importante para criarmos vínculo, e quantas fotos lindas tiramos desses momentos. Só que não. Considero esse capítulo na história da minha vida de mãe como algo meio obscuro que não gosto muito de revisitar pra não sentir a culpa novamente. Hoje sei que foi uma sucessão de erros que culminou no desmame precoce dos meus filhos. O principal deles acho que foi não ter me cercado de profissionais que entendessem a importância da amamentação e o fato de que não necessariamente nascemos sabendo o que fazer quando nos entregam nosso filho nos braços, e por isso acho fundamental alguém que nos guie nessa hora e não nos deixe desistir.

Hoje sei da importância de se colocar o bebê pra mamar assim que ele nasce, e brigaria por isso, pois talvez tivesse feito toda a diferença. Hoje não aceitaria o “conselho” da enfermeira de usar o tal bico de silicone pra proteger o seio, pois sei que acabaria viciando e dependendo de tal uso. Hoje não me agarraria ao leite artificial como uma tábua de salvação porque o bebê está perdendo peso. Hoje não escutaria dizerem que “esse bebê mama muito tempo, tem algo de errado”. Hoje não seguiria a tal regra de 3 em 3 horas. Enfim, hoje encararia como um processo natural e não me estressaria tanto.

Se eu pudesse dar uma dica pra quem ainda vai amamentar ou está no começo de todo esse processo é: esteja amparada por uma rede de apoio profissional, que vai te ensinar e dar realmente o “suporte técnico”, e também familiar, que cuide das demais coisas para que você possa se dedicar a esse trabalho tão lindo que só você pode fazer. Nem tudo é tão bonito e perfeito, às vezes dói, às vezes machuca, o leite vaza, o sutiã de amamentação pode abrir de repente no meio do mercado, às vezes você ficará exausta e vai se pegar somando o pouquinho que conseguiu dormir só pra saber o quão pouco você descansou… mas é melhor poder lembrar dessas situações achando graça no futuro do que lembrar do que podia ter feito diferente pra ter feito melhor. Isso eu garanto.

Formada em Administração com ênfase em Marketing pela ESPM, hoje exerço uma profissão que sempre esteve dentro do meu coração: sou mãe em tempo integral de dois lindos pequeninos: João e Luiza. Com isso, também sou dona de casa, recreadora, professora, enfermeira, cozinheira, motorista, palhaça particular e administradora de um e-commerce de roupas e acessórios para bebês e crianças.