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Armário cápsula: como fazer funcionar?

29.07.2015 Érica Minchin

 

Você já ouviu falar em armário cápsula? Essa não é uma ideia nova, mas que, depois de temporadas e mais temporadas de excessos e o surgimento do tal do “normcore”, parece ter voltado com tudo.

A ideia é a de passar uma estação com um número limitado de peças (algumas pessoas usam 37, outras 45, outras 50…) e só comprar algo se for para substituir uma das peças da cápsula (se manchar ou rasgar, por exemplo).

As vantagens são passar menos tempo pensando no que vestir, parar de comprar loucamente, aprender a substituir qualidade por quantidade e poder usar melhor o espaço. O que eu acho genial e vivo defendendo.

Porém, alguns contras me chamaram mais a atenção. Primeiro que algumas pessoas voltam pra conceitos equivocados de peças ‘obrigatórias’ no armário de todo mundo – há alguns meses, uma moça chamada Mathilda ganhou as manchetes do mundo por fazer a sua versão de cápsula, para o trabalho (usando apenas peças pretas e brancas), o que desconstruí aqui.

Segundo porque você precisa considerar o clima da sua cidade e a sua rotina antes de delimitar seu armário!

É muito mais fácil para uma pessoa que vive no sul do país limitar a quantidade de peças, já que o clima é mais frio, consequentemente sua menos e consegue usar suas roupas mais de uma vez, enquanto uma pessoa que mora em uma região que praticamente não tem inverno, já não consegue a mesma façanha. Além disso, quantas vezes por semana você vai se comprometer a lavar suas roupas?

Não adianta nem ter um armário enorme que te possibilite lavar roupas uma vez por mês (lembre que pra produzir uma peça, a quantidade de água gasta é bem absurda), e nem ter um armário tão minúsculo que te force a lavar roupas todos os dias. Se você morar em São Paulo, isso nem será possível, já que alguns bairros ainda estão passando dias sem água.

Se você morar na maioria das cidades do Brasil, também tem que considerar a mudança louca de clima. Do jeito que a coisa anda, você pode começar um dia de regata e terminar com 3 casacões de lã sobrepostos.

Mas, se a ideia te empolga, e você quer tentar, aqui vão as 2 dicas que considero fundamentais:

 

1. Encontre o SEU básico.

 

Algumas pessoas confundem versátil com neutro/básico. Acontece que o tal do neutro pode fazer exatamente isso: não dizer nada demais a seu respeito. E, né, a sua personalidade também conta. No meu armário, por exemplo, a peça menos neutra é a calça jeans.

 

2. Descubra suas cores

 

Você não precisa ter um arco-íris no armário. Nem deve, aliás, porque as cores refletem no seu rosto e deixam a aparência mais descansada ou mais abatida.

Pois é. Existem cores que funcionam melhor em você e cores que não ficam tão bacanas. Apesar do que uma indústria preguiçosa tentou te convencer durante toda a sua vida, o preto, por exemplo, deixa muita gente parecendo que está doente.

Algumas pessoas têm pele fria, outras neutras, outras quentes… Algumas ficam melhores com cores vibrantes e saturadas, outras com opacas e por aí vai. O ideal é procurar um profissional especializado, que além do olhar treinado tem um kit e uma técnica pra te ajudar a descobrir isso. Mas, você pode começar aproximando peças de cores diferentes no seu rosto e vendo o efeito que elas causam – o melhor é fazer isso sem maquiagem e em um ambiente com iluminação natural.

Ou seja: todo mundo pode ter um armário cápsula, mas o que funciona mesmo é se conhecer, seu corpo, seu estilo, sua rotina e necessidades e aí definir os próprios limites.

Graduada em Gestão de Negócios da Moda (Unisanta), possuo extensão em Gerência de Produtos (FGV) e sou pós-graduanda em Sociopsicologia (FESPSP). Aprimorei-me em algumas dezenas de cursos e especializações, entre as quais, Fashion Institute of Technology, SENAC, Senai, IBModa e Centro de Visagismo Philip Hallawell.