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Quando você for adulta o suficiente pra entender…

07.04.2013 Samia Assaf

 

“Baby, when you’re old enough, You’ll realize that you’re not so tough…”

Ficar mais velha não é fácil. Quando eu era adolescente eu tinha certezas. Muitas certezas, aliás. Uma delas era que quando eu ficasse mais velha, adulta e independente, eu saberia exatamente o que eu iria fazer. O tempo todo. Eu idealizava muito a vida adulta. Imaginava que com experiência, profissão e renda própria, eu teria toda a liberdade do mundo e, mais, saberia perfeitamente o que fazer com essa tal liberdade que me permitiria realizar coisas fantásticas.

Os jovens muito jovens, são muito, muito ingênuos. Certeza absoluta? Uma raridade, tenho pouquíssimas.  Quanto mais a gente vive e aprende, mais a gente vê que não sabe nada. Que ainda tem muito a saber. Vê que o que a gente ainda gostaria de conseguir entender sobre a vida é um poço sem fundo. E que talvez uma vida inteira não seria capaz de oferecer todas essas respostas.

Aliás, é só chegar nessa tal idade adulta, depois de já ter feito algumas escolhas e assumido algumas responsabilidades, que – não raro – a gente começa a se questionar quem a gente realmente é.
E as perguntas não param:
Afinal, eu sou o que sou, ou aquilo que esperam de mim? Ou pior, o que um dia eu idealizei que tinha que ser? E será que esse ideal ainda vale? Tantas correrias, angústias e esforços pra conseguir chegar a algum lugar. Que lugar? Será que eu ainda queria chegar lá mesmo? Quando foi a última vez que eu me perguntei de verdade (verdadeira) o que me faria feliz? Sem considerar o que os outros entenderiam disso. E será que eles SE entendem?

Uma vida adulta é reformatar o tempo todo. Mover arquivos para a lixeira. Criar novos arquivos. E salvar os ainda válidos. É refazer planos, trocar o corte do cabelo, mudar o tipo de roupa, repensar o trabalho  e viajar pra outros ares, quando necessário. É descobrir uma música nova, relembrar de uma velha. É fazer o que sempre se teve vontade de fazer. É  experimentar. Experimentar a si mesmo. É tentar amar sem saber se vai dar certo. Trabalhar sem saber se vai dar certo. É fazer tudo sem saber se vai dar certo.

Aliás, o que acontece quando você fica adulto é que você perde a ingenuidade de achar que vai resolver tudo com a facilidade de quem tem superpoderes.  É descobrir que o “fazer dar certo” é um exercício diário, trabalhoso e sem fórmulas prontas. Ser adulto, envelhecer, é  se entender imperfeito, mas resistente. É aceitar as suas vulnerabilidades e achar normal dar cabeçadas na vida. Porque pra aguentar a vida é preciso se aceitar e se perdoar. E se gostar assim, errado mesmo, mas obstinado. A fim de se corrigir e de evoluir, sem para isso precisar se escravizar a qualquer modelo de sucesso pré estabelecido. É ter a ousadia de descobrir e defender o seu próprio modelo de sucesso.

O  marketing pessoal estragou as pessoas. Elas levaram isso tão a sério, a ponto de usá-lo até nas suas vidas pessoais. As pessoas não são mais pessoas, elas viraram uma propaganda delas mesmas. Que chatice!  Ninguém mais tolera conhecer alguém normal, que tem dias e dias. Todo mundo espera ver aquele exemplo de segurança, sucesso  e charme inabalável, como um comercial de TV, um filme de comédia romântica, ou muito pior, uma foto na coluna social.

Só que por baixo das atitudes típicas e das frases manjadas, todo mundo tem dúvidas e cicatrizes. Ninguém é uma porcelana intacta. Mas pro inferno com a porcelana intacta, qual é o problema em ser uma pessoa normal?

A maior liberdade que existe é ser quem a gente é em toda a nossa verdade.
Com nossas forças e fraquezas.
Com nossos encantos e desencantos.
Sem culpas e sem desculpas.

 

Sou publicitária formada pela ESPM e jornalista formada pela Católica UniSantos, com experiência profissional em planejamento de comunicação e cursos de especialização em marketing digital, também realizados na ESPM. Amo tudo o que é criativo, não sobrevivo sem música, sou apaixonada por viagens, adoro aprender coisas novas, adoro gente simples e espontânea, minha maior paixão é escrever!