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Ostentar pra quê?

05.08.2014 Samia Assaf

 

Eu ostento, tu ostentas, ele ostenta…

Em algum nível, todos nós ostentamos. Esbarramos nessa espécie de “atestado” de felicidade e sucesso por todos os cantos: nas redes sociais, revistas, reuniões de amigos e até na própria família.

Não existe ninguém que não curta – em algum aspecto, ou nível – consumir. Ao longo da vida, é normal virar fã de uma porção de produtos. Mas consumir para ostentar pode atropelar a sua personalidade,  confundir os seus propósitos e desequilibrar as suas finanças. E afinal de contas, ostentar pra quê?  E pra quem?

Pra quê?

Para tentar se destacar.
Um dos primeiros problemas da ostentação é moral e até um pouco óbvio: alimentar a ideia de que é preciso “ter” para “ser”. E, consequentemente, ter mais para ser mais. É como se o resultado material, acabasse valendo mais do que o mérito, ou talento da pessoa que o conquistou,  e ela se transformasse no carro que dirige, no apartamento em que mora, na grife que veste, nos lugares que frequenta: um conjunto de rótulos nem sempre escolhidos por afinidade, mas para se encaixar em algum tipo de status social “diferenciado”.

Isso piora muito quando o mérito não apenas deixa de ser valorizado, mas de existir por completo, ou sequer de importar. E é aí que mora o perigo:  quando a obsessão em ter o que se deseja , faz qualquer coisa parecer certa.

Tudo isso é feito pra quem?

Para os outros.
Quem ostenta quer ser admirado, respeitado,ou até mesmo invejado. O problema é que a motivação é se encaixar em um padrão de sucesso que muitas vezes nem é o seu. Viver pra agradar os outros (embora todo ostentador deteste admitir que faz isso) leva a um conflito de PROPÓSITO. Quantas vezes essa pessoa se pergunta se o que ela faz é o que realmente gostaria de fazer? Se paga uma fortuna em um restaurante da moda, para dizer que foi lá ou porque gosta mesmo do lugar? Se ainda se pergunta do que gosta? É aí que o ostentador muitas vezes se despe da sua personalidade pra ser o que está “em alta” e fazer o que “pega bem”. E a ironia da história toda é que, na tentativa de se diferenciar , tudo o que faz é tentar copiar o que o outro também faz.

Elegância X ostentação

Se o ostentador quer se diferenciar e acaba igual, outro tiro que sai pela culatra é querer parecer fino demais e tropeçar na classe. Um lembrete: ostentar demais é cafona.  É deselegante.  Elegância nunca terá a ver com forçar algum tipo de superioridade, da maneira que for. Muito menos com o que a pessoa pode ou não pode, financeiramente. Elegância tem tudo a ver com bom-senso, adequação e equilíbrio. É um trabalho de diplomata, hábil na arte das boas relações, suas principais ferramentas sempre serão a boa educação e a humildade –  ah sim, a humildade!

Poder ou não poder, eis a questão.

É só o poder de compra aumentar um pouco que a ostentação já começa a exercer sua sedução. Devemos tomar cuidado com essa tendência em achar que com mais dinheiro no bolso tudo vira coisa de pobre. Na transição do transporte público para o carro, da loja de departamento para a grife, do celular mediano para o smartphone de última geração, o desejo de consumir leva a delírios muito além dos orçamentos das pessoas, ou até mesmo das  suas necessidades reais de adquirir o produto.

Aliar o consumo à utilidade sempre vai ser uma boa pedida. Planejar compras, fazer listinhas e estabelecer prioridades são boas práticas que colaboram bastante para tornar o consumidor mais consciente e, sim, mais satisfeito com o resultado de suas escolhas. Saber no que vale a pena investir é sinal de bom senso  e torna o consumo mais inteligente.

Na boa?

Todos nós gostamos de  consumir e não, não odiamos as grifes. Elas, como nós, têm suas trajetórias cheias de méritos.  Mas saber questionar motivações e necessidades, identificar afinidades reais e ter bom-senso na hora de gastar, com certeza trarão um benefício maior pra vida de qualquer pessoa do que viver escrava de aparências.  A maneira mais fácil – e mais admirável – de uma pessoa se diferenciar, ser respeitada e querida é simplesmente ousar ser si mesma.

Sou publicitária formada pela ESPM e jornalista formada pela Católica UniSantos, com experiência profissional em planejamento de comunicação e cursos de especialização em marketing digital, também realizados na ESPM. Amo tudo o que é criativo, não sobrevivo sem música, sou apaixonada por viagens, adoro aprender coisas novas, adoro gente simples e espontânea, minha maior paixão é escrever!