Reflexões » Comportamento

07.04.2013 Samia Assaf

 

Tem épocas em que a gente se esquece dela. Mas tem outras que não dá pra esquecer. Ou porque o coração aperta, ou porque há muito pra agradecer. Falar de fé é tão difícil quanto usar  lógica para descrever uma música. Como explicar esse sentimento de conexão com o “criador”? Esse saber por saber, essa certeza que desafia a razão?

Há quem não tenha necessidade dessa conexão. Tenho amigos ateus e os respeito. Diga-se de passagem, não acho que ter uma religião dê qualquer atestado de bom caráter a ninguém. Isso vem da capacidade de fazer o bem com sinceridade, de coração, e está longe de ser exclusividade de gente religiosa. Até porque nem todo dito religioso pratica o que diz acreditar. Tem gente que transforma religião em status. E parece que está cultivando a imagem de carola mais pra ganhar ibope na sociedade do que pra fazer algo que acredite que vá agradar a Deus.

Também não acredito que religião e fé sejam a mesma coisa. Pra mim, religião é um caminho e fé um sentimento. E existem muitos caminhos pra nos levar a um mesmo lugar. Esse lugar eu chamaria de evolução, discernimento, amor, bondade. Qualquer religião diferente quer, a sua maneira, te ajudar a chegar lá. Então que diferença faz se você chegou de um jeito, ou de outro? Que diferença faz quais foram as suas maneiras de aprender essa mesma lição? O propósito não era conseguir aprender?

Não sou uma religiosa exemplo. De uma forma geral, tenho uma tendência a fazer as coisas do meu jeito, sem me preocupar muito com rituais e obrigações. Não estou defendendo que isso seja o certo, ou o errado. Apenas é como eu sou. O importante pra mim sempre foi acreditar. Se seguir tudo a risca funciona pra você, acho legal. Mas se não, também não acho que sua fé seja necessariamente menor por causa disso. Posso não rezar o tanto de vezes que deveria, ou obedecer todas as práticas religiosas à risca, mas tenho fé. Uma fé menos “intelectualizada” e mais “primitiva”. Tenho fé quando vejo uma árvore, quando vejo o mar, quando sinto o sol bater. Coisas simples sempre foram suficientes pra me fazer acreditar. Nunca precisei de muito mais convencimento do que isso pra sentir que Deus existe. Mas é difícil falar do invisível, não é? Falar do que parece real e o do que não parece.

E o que é a realidade, afinal? É o que eu vejo, cheiro, toco, ouço e sinto o gosto?  É o que os microscópios e os telescópios me mostram, aumentando o alcance dos meus sentidos?  É o que a ciência conclui, com tanto estudo e conhecimento acumulado? Se tudo isso é verdade, então a nossa ideia de realidade é algo em contante transformação. Pois o que eu entendo por realidade hoje é bem diferente do que se entendia no passado.

Hoje eu sei que existe uma coisa no meu sangue chamada glóbulo branco. Alguém de um passado distante, não. Pessoas de um passado distante achavam uma insanidade pensar que a terra poderia ser redonda, não ser o centro do universo, não ter luz própria e, ainda por cima, girar em torno do sol. Achavam impensável existir outros planetas, sistemas solares, ou o nosso próprio DNA.

Isso quer dizer que a nossa noção de realidade é um conceito totalmente limitado ao que os nossos sentidos podem nos dizer e ao que a ciência pode provar até o momento. Mas vai saber o quão primitivos ainda somos nesse sentido? O quanto a ciência ainda vai poder nos revelar, o quanto ainda estamos só engatinhando na nossa noção do que é a vida?

Na verdade, ninguém sabe o que é real e o que não é. Conhecemos apenas partes da realidade. Nesse ar invisível pode haver um monte de coisas que só não existem para nós porque não temos olhos, ou instrumentos, capazes de enxergá-las. Pode haver tudo o que ainda não conhecemos, mas que sempre esteve ali, alheio a nossa ignorância, esperando para ser descoberto. E mesmo com tantas perguntas, mesmo andando no escuro, às vezes sentimos o que ainda não conseguimos enxergar. É assim que Deus é real pra mim. Pra mim, ele mora nessa realidade “invisível” que me intriga tanto. E não duvido nada que um dia até a ciência justifique essa fé.

 

Sou publicitária formada pela ESPM e jornalista formada pela Católica UniSantos, com experiência profissional em planejamento de comunicação e cursos de especialização em marketing digital, também realizados na ESPM. Amo tudo o que é criativo, não sobrevivo sem música, sou apaixonada por viagens, adoro aprender coisas novas, adoro gente simples e espontânea, minha maior paixão é escrever!