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Mattel adere às “bonecas reais” com Nova Barbie

29.01.2016 Samia Assaf

 

Muito tem sido discutido sobre padrões de beleza, hoje em dia. E é uma discussão muito válida e saudável, afinal, cada um de nós sabe o quando se sentir “desajustada” nesse sentido – seja pela razão que for, seja na proporção que for – pode causar mágoas e dificultar nossa sensação de pertencimento numa sociedade.

Para aqueles que acham a discussão boba, devemos lembrar que muitas crianças nascem (ou desenvolvem) todo tipo de “diferenças”. Além daquelas óbvias, como peso, altura e características físicas que viram alvo de bullying, temos aqueles que nascem sem algum membro do corpo (como uma mãozinha, por exemplo), outros com alguma condição na pele (como o vitiligo) e outros com cicatrizes e marcas adquiridas por acidentes, ou cirurgias. E aí, o que a gente ensina para essas crianças? Que caber ou não num padrão é o que as definem? Entendeu agora a importância de gastar um tempo pensando sobre o assunto?

Bom, mas quando a gente fala em padrões, sempre se pergunta como é que eles são formados. Daí a gente lembra da publicidade e de tantas outras coisas divulgadas por aí, mas esquece que há mais, e que, entre essas influências todas, há uma que aparece logo cedo na vida: os brinquedos.

Tenho achado muito bacana (muito bacana mesmo) os esforços de empresas produtoras de bonecas em trazer características mais reais para seus produtos. Hoje, quando vemos que até a Mattel embarcou nessa e acabou de lançar sua primeira coleção de Barbies “da vida real”, é porque os esforços daqueles que começaram a questionar esses padrões deram resultados. Não devemos esquecer que antes da Barbie real, a Lammily lançou essa mesma proposta no Kickstarter (confira nosso post aqui), e a criativa e questionadora marca GoldieBlox, que não era do “mainstream” industrial, mas nascida desta mesma plataforma, lançou brinquedos para meninas que podem se interessar por engenharia, ciências e tantas outras áreas predominantemente ocupadas por homens (veja nosso post aqui).

 

Lammily-Next-To-Barbie

Lammily Doll, comparada à Barbie “tradicional”. Boneca foi feita a partir da média de medidas de uma jovem real.

 

E não para por aí. Iniciativas menores e mais artesanais vivem pipocando pelo mundo, como a da tasmaniana Sonia Singh, que recicla bonecas, transformando-as em heroínas da vida real – mulheres inspiradoras que conquistaram coisas bacanas na vida (confira).

Pode parecer pobreza de espírito da minha parte, mas minha imaginação me pergunta se o cara da Lammily fosse funcionário da Mattel e tivesse aparecido com um projeto desses por lá (ao invés de ter lançado a sua própria ideia de forma independente), eles teriam aprovado…

Bom não sei, mas o que eu sei é que eu realmente acho que plataformas de financiamento coletivo deram uma boa democratizada na indústria e uma reciclada legal em ideias e formas de abordar o mercado. De uma maneira, ou de outra, acho bacana que todos (da maior a menor empresa) estejam caminhando para uma evolução.

A seguir, confira o vídeo divulgado pela Mattel, sobre a nova linha de Barbies que teve sua mudança mais revolucionária em 57 anos de história:

 

Sou publicitária formada pela ESPM e jornalista formada pela Católica UniSantos, com experiência profissional em planejamento de comunicação e cursos de especialização em marketing digital, também realizados na ESPM. Amo tudo o que é criativo, não sobrevivo sem música, sou apaixonada por viagens, adoro aprender coisas novas, adoro gente simples e espontânea, minha maior paixão é escrever!