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O Natal mágico das crianças

24.12.2014 Tatiana Porto

 

Venho de uma família pequena, bem pequena, por isso minhas lembranças de Natal não envolvem mesas cheias de pessoas, tumulto pra trocar os presentes, muitos familiares pra cumprimentar, crianças correndo pra lá e pra cá, ou algum tio incorporando o Papai Noel. Mas tive a sorte de ter uma mãe muito criativa e disposta a criar memórias e experiências que eu e meu irmão pudéssemos vivenciar.

Não tive o “tio” de Papai Noel, não sentei em seu colo pra contar que eu havia sido uma boa menina e merecia o presente, nem me recordo de nenhuma foto que tenha tirado com ele, mas quem disse que ele nunca me visitou? Lembro perfeitamente de um Natal em que meu presente caiu pela lareira da minha avó. Consigo revisitar o susto, ouvir claramente o barulho da caixa caindo, minha surpresa ao ver a caixa e a euforia daquele momento. O presente? Era o boneco do Fofão, meu ídolo na época (e que me causaria arrepios anos depois…kkkk. Alguém se lembra da lenda urbana da faca na barriga do boneco???). Não que o presente tenha sido o mais importante, foi a experiência. Anos depois soube que a sequência da produção daquela cena toda foi: 1) pôr a caixa na lareira; 2) estourar um saco de pão pra simular o barulho da queda. Uma ideia simples que originou uma das lembranças mais doces da minha infância (Obrigada, Mãe!). Essa pra mim é a verdadeira magia do Natal.

Aí a gente tem que crescer, e as experiências não tão boas pelas quais vamos passando vão tirando a nossa capacidade de enxergar as coisas com a mesma mágica de antes. Confesso que fiquei anos achando que o Natal era a época mais triste do ano, do tipo que quando dava meia-noite eu pensava “ufa, passou e eu sobrevivi”. Sempre fui sentimental, mas nessa época tudo era sofrido em dobro.

Mas nada como a pureza e a inocência das crianças pra trazer o espírito natalino de volta. Só que agora as crianças são meus filhos, e a mãe disposta a criar momentos sou eu (embora não tão criativa assim). Os filhos são a lição que nos mostra que tudo depende do modo como enxergamos as coisas. O que antes era um “trabalho” de ter que tirar enfeites de natal do fundo do armário, montar tudo e depois ter o mesmo trabalho pra guardar, agora é um evento em que meu filho se diverte ajudando e sente orgulho depois por ter participado. Quero ajudar a criar essa memória afetiva neles, com lembranças que eles possam revisitar no futuro e sentir o conforto que eu tenho quando me lembro das minhas. Ver as carinhas de felicidade, a empolgação, minha pequena que nem fala ainda gritar “Papai!” quando vê o Papai Noel, é a real magia do Natal, aquela que não devemos deixar morrer nunca, independente da idade.

Espero que você tenha um Natal cheio de magia, experiências e lembranças, e que possa estar com que ama celebrando a vida!

 

Formada em Administração com ênfase em Marketing pela ESPM, hoje exerço uma profissão que sempre esteve dentro do meu coração: sou mãe em tempo integral de dois lindos pequeninos: João e Luiza. Com isso, também sou dona de casa, recreadora, professora, enfermeira, cozinheira, motorista, palhaça particular e administradora de um e-commerce de roupas e acessórios para bebês e crianças.