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O pêndulo

07.04.2013 Samia Assaf

 

O pêndulo do relógio daqui de casa. Fico olhando pra ele. Ouvindo esse barulhinho que ele faz.

Nele, o tempo é só um balé que vai e vem. Na vida, são tantas coisas pra decidir nesse tique-taque. São tantas vontades e tantas dúvidas.

Será que vou conseguir mudar de emprego, de salário, de cidade? Será que meus amigos distantes ainda se lembram de mim? Será que tenho que sair mais de casa? Comprar uma bicicleta nova? Trocar de carro? Fazer um MBA? Conhecer Nova York nas férias, ou ir para uma praia tranquila por aqui? Será que quero gastar minha vida assim?

Será que eu devo confessar que eu não quero gastar minha vida ouvindo o quanto fulana emagreceu, o quanto o tomate está caro e quem sua amiga encontrou atravessando a rua? Provavelmente aquela pessoa pra quem eu nem dou a mínima. Será que alguém me devolve as horas que fiquei no telefone com a operadora do celular, com a central de relacionamento da TV paga e com a atendente do banco? Devolve as minhas horas gastas no trânsito, na sala de espera do médico e na do dentista?

Será que eu poderia ter esse tempo de volta pra poder fazer alguma coisa que me deixasse feliz?

A minha cabeça roda e roda. E eu acabo lembrando que nessa semana ainda faço aniversário. E parece que o último foi ontem… Que aperto no coração! Porque junto com eles, os aniversários, sempre vêm de brinde aqueles famosos balanços da vida, aquela tal contabilidade de realizações. Fenômeno que acontece também quando chega o Ano Novo. São nessas datas difíceis que o tique-taque do relógio fica ainda mais alto e mais ameaçador. Quando a gente se obriga a pensar no que mudou, ou melhorou, de um ano pra outro.  No que, de fato, saiu do papel, da mente, do sonho, do desejo. No que você andou fazendo com o seu tempo.

Tempo, que hora se arrasta e hora escorre pelos dedos, nessa sua relatividade, eu me pergunto o que estou fazendo com você. Me pergunto se consigo te acompanhar. Se consigo achar os caminhos que preciso trilhar. Se percebi que chegava um bonde para a felicidade. Se desci a tempo de outro rumo à decepção. Se perdi aquele que conduzia a uma conquista. Se fiquei apenas parada na estação.

Tempo, será que vai dar tempo de corrigir?

 

Sou publicitária formada pela ESPM e jornalista formada pela Católica UniSantos, com experiência profissional em planejamento de comunicação e cursos de especialização em marketing digital, também realizados na ESPM. Amo tudo o que é criativo, não sobrevivo sem música, sou apaixonada por viagens, adoro aprender coisas novas, adoro gente simples e espontânea, minha maior paixão é escrever!