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O risco em seguir dietas da moda

22.04.2015 Samia Assaf

 

 

Quando o assunto é emagrecer, a internet acaba sendo tanto uma fonte de informação, como de desinformação. É muito fácil encontrar dietas da moda desfilando por aí, além de publicações que transformam alimentos em vilões e heróis da noite para o dia. Mas será que podemos confiar nisso tudo?

Para saber mais, o Todas Elas foi bater um papo com a nutricionista Andrea Mancebo Asorey, especializada em Nutrição Funcional.

 

Quais são os riscos em adotar dietas da moda?

 

“Não existe uma dieta que sirva para todo mundo”. Essas foram as palavras da nutricionista e você, provavelmente, deve estar se perguntando por quê.

Segundo Andrea, algumas das principais razões, para buscarmos uma reeducação alimentar individualizada, são:

 

Temos individualidades genéticas e quadros de saúde diferentes

 

Dietas genéricas não consideram diferentes taxas de glicose e de colesterol, pressão alta ou baixa, possíveis problemas de tiroide, entre tantos outros fatores que devem ser levados em conta, para que possamos desenvolver hábitos de alimentação que colaborem para a nossa saúde e qualidade de vida.

 

Muitas dietas são baseadas em macronutrientes

 

Muitas dietas da moda mantém o foco no aumento ou diminuição do consumo de macronutrientes, como proteínas, carboidratos e gorduras. Os micronutrientes, presentes em alimentos naturais como frutas, verduras e legumes, e que colaboram para o bom desempenho das funções metabólicas, acabam não exercendo o papel que deveriam na dieta. É muito comum, por exemplo, observar restrições fortes a certos tipos de frutas e legumes, por causa do carboidrato presente nelas, o que nem sempre é certo.

 

Muitas dietas são baseadas no consumo de calorias

 

“Se a gente for pensar em calorias, poderíamos viver de água e Coca Zero”, afirmou Andrea, reforçando que Nutrição não é uma ciência exata e sim biológica.  Por isso, devemos lembrar que o hábito de fazer contas de calorias ou pontos, não deve substituir a consciência alimentar. Para perder peso com saúde e sem desnutrir o organismo, é sempre importante compreender a qualidade e função daquilo que estamos ingerindo.

 

 

Existem alimentos heróis, ou vilões?

 

Novamente, não há uma regra que sirva para todos e, mais uma vez, o quadro de saúde de cada um é que vai determinar o que realmente é bom, ou não, pra você.

Não é recomendável às pessoas com hipotiroidismo, por exemplo, exagerar no consumo de couve, um verdadeiro herói dos sucos detox. Da mesma forma que quem apresenta altas taxas de glicose, deve adequar o consumo de frutas ao seu quadro de saúde.

 

Como evitar o famoso “efeito sanfona” e manter o peso?

 

Para Andrea, tudo começa ao não pensarmos em “dieta”, mas sim em uma reeducação comportamental, que é mais do que alimentar, porque também envolve a sua forma de pensar o seu estilo de vida.

Assim, costuma comparar a maneira como devemos nos alimentar, com os períodos de “trabalho” e “férias”. Ou seja, durante a semana devemos procurar ter uma alimentação nutritiva e equilibrada, para podermos usufruir de um dia livre em que matamos nossas vontades de doces, frituras e outras comidas, sem sobrecarregar o organismo.

Conclusão: não há milagres para perder peso com saúde e manter o resultado. Há a criação de hábitos que, com o tempo, deixam de ser difíceis de manter e se tornam cada vez mais naturais e adaptados ao estilo de vida das pessoas.

É por esta razão que dietas extremamente restritivas e rápidas não costumam funcionar. O organismo, acostumado a um longo período de fartura, entende esta privação como um risco de passar fome e começa a armazenar a energia ingerida, em vez de gastá-la. Resultado: você acaba engordando, ao invés de emagrecer.

 

Quais são os principais aliados da dieta?

 

alimentos-coloridos

 

Andrea costuma os chamar de “chaves de ouro da nutrição”. Elas são:

 

Uma boa hidratação: todos os processos metabólicos precisam de água, portanto, não ter o hábito de renová-la, segundo Andrea, “é como viver com um aquário sujo”.

Colorir a alimentação: o exemplo das cores é dado para facilitar a inclusão de diversos nutrientes importantes para a saúde – e presentes em frutas, legumes e verduras de cores variadas –  em nossas dietas.

Ter um fracionamento adequado de refeições: ou seja, não adianta ficar em jejum e achar que você vai emagrecer por conta disso. Como falado anteriormente: quando seu corpo entra em um processo de fome, ele começa a guardar energia e a estocar em forma de gordura. A cada 3 horas, consumir um pequeno lanche, sem exageros, é recomendável.

Polivitamínicos: são muito recomendáveis, desde que o consumo e seleção das vitaminas seja individualizado e recomendado através de sintomas apresentados pelo paciente.

Ômega 3: normalmente acabam prescritos para consumo em cápsulas, como forma de suplementação, já que a quantidade presente em peixes, como salmão, e em algumas fibras, não costuma ser suficiente. O salmão que consumimos, criado em tanques, longe das águas frias e alimentado com rações, ao invés de algas, tem uma produção de Ômega 3 inferior ao normal.

Ingestão de fibras: além de melhorar o funcionamento do intestino, ela também ajuda a controlar o índice glicêmico (e independentemente de você ser diabético ou não, esse controle é necessário) e até as taxas de colesterol. Aliás, fica a dica: o consumo de carboidratos refinados sem fibra é mais prejudicial ao controle de colesterol do que a própria gordura.

Uma ressalva: dependendo de seu quadro de saúde, certas fibras não são recomendadas. Pessoas com Síndrome do Colo Irritável, ou Colite Ulcerativa, por exemplo, não devem ingerir sementes, mas buscar outras alternativas, como linhaça, por exemplo.

 

Fibras

 

 

Quais são os principais mitos sobre alimentos que fazem engordar?

 

Devo evitar carboidratos: carboidratos refinados e sem fibras (como pão branco, massas e biscoitos) engordam e devem mesmo ser evitados. No entanto, certos legumes – principalmente tubérculos, como mandioquinha, mandioca, batata doce, entre outros – quando consumidos nas principais refeições, são ótimos para nos dar energia e ainda ajudam na digestão.

Devo evitar gorduras: existem gorduras que emagrecem e que são muito utilizadas em dietas mediterrâneas. Óleos vegetais extra virgens e castanhas, em pequenas quantidades diárias, são ótimos para a sua dieta, além de serem importantes para ajudar na absorção de vitaminas. Óleos vegetais em embalagens transparentes e margarina, no entanto, devem ser evitados, por conter muitas substâncias artificiais que os modificam quimicamente.

Devo ter um café da manhã de rainha, almoço de princesa e jantar de mendigo: estabelecer horários que sirvam para todos não faz sentido. As pessoas têm ritmos de vida diferentes, portanto, é recomendável que refeições sejam distribuídas de acordo com a rotina de cada um. Que horário você acorda? Que horas vai dormir? Estuda, ou vai à academia à noite? Trabalha em turnos? Para cada caso, deve haver uma programação de refeições diferente, capaz de garantir bem estar e saúde ao longo de todas as atividades de seu dia.

 

Vale a pena usar medicamentos para emagrecer?

A resposta é: depende.

Andrea aponta que o maior erro é pensar “vou ao médico e ele vai me dar um remédio para emagrecer”. É importante lembrar que a função do remédio não é simplesmente tornar seu emagrecimento mais fácil, ou rápido. Médicos adotam critérios para a prescrição de medicamentos, investigando possíveis disfunções endócrinas, ou outras complicações para a saúde que possam acompanhar o sobrepeso, ou a obesidade de seus pacientes.

Nutricionistas também podem recomendar medicações fitoterápicas a quem tem um metabolismo prejudicado pela alimentação desequilibrada há muitos anos. Nesses casos, o fitoterápico entra como um auxílio no metabolismo de alimentos como gorduras e proteínas, por exemplo.

No entanto, não é recomendável fazer, por conta própria, uso indiscriminado de suplementos e termogênicos (responsáveis por queimar gordura de forma rápida). Para Andrea, mais de 90% pacientes com esse hábito não precisam desses recursos, mas os procuram por “imediatismo” – o que não costuma ser saudável, nem oferecer resultados que se sustentam a longo prazo.

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Andrea Mancebo Asorey é nutricionista especializada em Nutrição Funcional.

Você pode entrar em contato com ela, através dos seguintes canais:

e-mail: andrea.asorey@gmail.com
Telefone: 13 99161-9045

 

Sou publicitária formada pela ESPM e jornalista formada pela Católica UniSantos, com experiência profissional em planejamento de comunicação e cursos de especialização em marketing digital, também realizados na ESPM. Amo tudo o que é criativo, não sobrevivo sem música, sou apaixonada por viagens, adoro aprender coisas novas, adoro gente simples e espontânea, minha maior paixão é escrever!