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Quem acredita em amor verdadeiro?

28.07.2015 Samia Assaf

 

“Quero encontrar o amor verdadeiro.”

Se você ouvisse alguém adulto e (aparentemente) sensato dizer essa frase, com a mesma naturalidade de quem diz “quero comprar um apartamento”, o que você pensaria?

(  ) É uma piada –  e ficaria esperando o desfecho, ou as risadas.

(   ) É mentira de conquistador barato – alguém que me achou com cara de quem acredita “nessas coisas”.

(   ) É uma pessoa sonhadora e delirante – que espera o príncipe/princesa encantado(a).

 

E se fosse verdade? Bem, aí seria o tipo de coisa que qualquer um teria vergonha de dizer publicamente, nos dias de hoje. No mínimo, pra não perder a credibilidade. Afinal, dá uma vergonha danada falar de amor, né?

Ô se dá! E às vezes – vamos combinar – soa até brega! Mas por que será, se todos o desejam tanto? Ou será que desejam? Ou será que o procuram mesmo? Ou será que sofrem por ele, como dizem sofrer. Seria mesmo por causa de amor que tantos sofrem?

Bom, não sei. Não sei o que as pessoas chamam de amor. Mas, ao longo da minha vida, fiz uma coletânea mental de opiniões alheias a respeito dele, pra tentar entender.

A conclusão que cheguei? Acredito que a principal razão do constrangimento em relação ao amor é, sem dúvida, ele (aparentemente) ter virado sinônimo de ficção. Uma esperança criada pelos contos de fadas, que sobrevive na vida adulta às custas de novelas, filmes de Hollywood e mentes (iludidas?) para acreditarem nessas coisas todas. Por que?

Porque na “vida real” não é tão comum encontrar pessoas como os personagens dessas histórias costumam ser. Se na fantasia eles são sempre incrivelmente encantadores e capazes de atos de heroísmo e verdadeiros sacrifícios por aqueles que amam, na vida real as relações costumam balançar justamente quando a coisa aperta. Na vida real, o amor nem chega a fazer parte das reais intenções de algumas relações. Afinal, tem muita gente que procura alguém pelos mais diferentes tipos de conveniências: pra se ter dinheiro, ou status, ou sexo temporário, ou apenas companhia até achar “alguém melhor” .

Mas se as pessoas reais, às vezes, não tem intenções assim tão louváveis, então será que o amor virou fantasia por culpa da nossa mente sonhadora, ou da nossa própria moral duvidosa? Acredito que o que transforma o amor em ficção é exatamente a mesma coisa que faz com que tudo o que deveria funcionar não funcione: o enfraquecimento de certas virtudes que o predispõem. É, por exemplo, pela mesma razão que governos, justiça, e seja lá que instituições você possa pensar, também não são como deveriam ser. Porque deixamos nosso caráter deteriorar e privilegiamos a ganância, o egoísmo, a vaidade, o individualismo, entre tantas coisas. Assim, da mesma forma que um político se corrompe porque coloca seu interesse particular acima dos interesses públicos, um marido, ou esposa, decepciona sempre que seu benefício prevalece ao bem estar de ambos. É a pessoa que trai sem se importar com o sofrimento que isso causa no parceiro. Ou que se ausenta na hora que as responsabilidades e problemas chegam – pois é, não há fantasia maior do que esperar uma vida na qual eles nunca apareçam.

O amor, portanto, não é fantasia. O amor verdadeiro existe. O que vira fantasia, em alguns casos, é essa capacidade de se dedicar a algo que exija mais nobreza. Somos nós que nos exilamos nessa “terra do nunca”, onde tudo o que sonhamos se torna bom demais pra ser verdade.

Se precisamos ser realistas, devemos também nos lembrar que realidade é algo que se constrói. Pra não construirmos uma que nos torne infelizes para sempre.

 

Sou publicitária formada pela ESPM e jornalista formada pela Católica UniSantos, com experiência profissional em planejamento de comunicação e cursos de especialização em marketing digital, também realizados na ESPM. Amo tudo o que é criativo, não sobrevivo sem música, sou apaixonada por viagens, adoro aprender coisas novas, adoro gente simples e espontânea, minha maior paixão é escrever!