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Você conhece o que come?

12.08.2015 Ellen Gallego

 

Há alguns meses, nos deparamos com a notícia da aprovação do projeto de lei 4148/08 que acaba com a exigência de afixar o símbolo de transgenia nos rótulos de produtos geneticamente modificados (OGM) destinados a consumo humano.

A questão colocou defensores do meio ambiente e a própria sociedade em oposição aos deputados que apoiam a ideia de que “o agronegócio é que alimenta o país”.

Deixando de lado o que penso sobre não precisarmos do estado, e a propaganda enganosa de que dependemos do agronegócio para sobreviver, é fato que o projeto de lei cerceia informações de interesse coletivo e prejudica a liberdade de escolha.

É de conhecimento que todo cidadão tem direito a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços que pretende adquirir, contendo as características intrínsecas de cada um deles, bem como, ser alertado sobre os riscos decorrentes da utilização de todo e qualquer produto.

 

Só que eu pergunto: você costuma ler os rótulos das embalagens de alimento?

 

Jason Clay, um conhecido transformador de mercado, em palestra para o TEDGlobal  – “How big brands can help save biodiversity”, questiona se os consumidores tem o poder de optar por produtos sustentáveis. Segundo ele, americanos e europeus gastam em média poucos segundos com a leitura de rótulos que não refletem a composição dos produtos. E afirma, não temos, como você pode conferir no vídeo abaixo.

 

 

Esse é o tempo ideal? Temos conhecimento suficiente para avaliar todas as informações científicas sobre o produto? E o rótulo, reflete a sua real composição?

A mera informação não nos assegura em nada sem uma leitura paciente, consciente e crítica.

Você poderia dizer: “Não vou mais comprar um produto sem ler”, tornar-se um fiel praticante da alimentação atenta, mas ainda assim não seria o suficiente. “Agora que li e sei que isso pode acontecer, não vai acontecer”. É claro que vai.

Devemos nos convencer de que existem químicos tóxicos na maior parte de nossa comida comprada em supermercados ou cadeias de restaurantes. É praticamente impossível frequentar grandes redes e comprar qualquer tipo de comida que não esteja com químicos e despojada de seu valor nutricional.

Não podemos ignorar que até mesmo as marcas tradicionais já não são as mesmas de há anos atrás, modificando a composição de seus produtos com o objetivo de atender interesses e necessidades de seu negócio.

Então, é uma causa perdida? Acredito que não.

A solução não é apenas a informação, parece que o segredo é simplesmente mudar o “nosso” ambiente para que ele funcione para nós.

 

Mude a opção

 

Poderia começar por reduzir o consumo de produtos comercializados em grandes redes, optando por feiras orgânicas de pequenos produtores e lojas de produtos naturais. Não esquecendo que até mesmo nesses lugares nem tudo é perfeito, afinal tudo depende de quem e como produz.

A chance de encontrar coisas que não estejam cheias de toxinas, que foram embaladas com valor nutricional intacto e não foram energeticamente alteradas, aumentam.

Opte por restaurantes que trabalham com recursos primários de qualidade e frescos, incentivadores da produção local e que respeitam a sazonalidade. Temos excelentes aplicativos para celular que facilitam esse encontro, como o “Slow Food Planet” e a rede social “G2G”. Faça o bom uso dessa tecnologia sustentável.

 

Leia e compreenda a informação contida nos rótulos

 

A sacada está em não ligar para o que está escrito na frente da embalagem, pois é aí que as empresas lançam a sua campanha publicitária. Vale notar que muitas das informações que consideramos úteis e necessárias, são utilizadas na propaganda como forma de distração para o uso de diversos outros ingredientes químicos listados.

A informação te faz pensar que aquilo é saudável e o faz querer comprar o que não deveria.

Não temos como saber se todos os ingredientes foram listados e nem temos o conhecimento técnico para avaliar a composição dos produtos, mas sabemos que certas coisas deveriam nos impedir de comprar. Desconfie de qualquer coisa que não consiga pronunciar, mesmo que digam tratar-se de um derivado natural ou completamente natural. Pode (e não deve) ser verdade. Algumas dicas:

Glutamato de sódio, Aspartame, Xarope de glucose rico em frutose, Óleo hidrogenado, Açucar, Aromas naturais e artificiais, Corante artificial, Óleo de palma, Dextrose, Sacarose, Sucralose, Farinha de trigo embraquecida enriquecida, Matéria proteica de soja, e outros tantos que aumentam o seu apetite, o fazem desejar artificialmente a comida e provocam diversos problemas de saúde.

Digo-lhe para dar pequenos passos ao seu ritmo, deixando de confiar ao governo ou corporações associadas, o seu alimento. Apoie empresas pequenas e independentes que tentam produzir algo que sabem muito bem e que faz bem à saúde.

 

Cuidado com o extremismo

 

Ele pode levá-lo a uma ilusão ainda maior, como a famigerada “Ortorexia”, a obcessão de comer saudável que perturba muito mais do que favorece o organismo. Coma com prazer e o que quiser comer.

Respeite a opinião daqueles que não se preocupam com a realidade dos químicos, não é você quem poderá mudar isso. Lembre-se de que tudo na vida é um processo de conscientização por identificação e cada um tem o seu interesse e tempo, não estrague a boa convivência pela lealdade cega a um ideal.

Faça um pouco ou faça muito, desde que de acordo com o que te faz sentir-se bem.

Pequenas modificações no seu meio podem produzir um impacto maior do que simplesmente validar o falso controle das leis.

Sou uma estudiosa da alquimia da Nova Gastronomia e também uma empreendedora, com uma loja de comida criativa para os novos tempos . Venho estudando os rudimentos da culinária e da fisiologia do gosto, através de livros, mentores e cursos, concluindo o aprendizado em Firenze – Itália, Hoje, sigo o conceito da Ecogastronomia, como associada e ativista no movimento Slow Food, acreditando que o alimento deve ser bom, limpo e justo.